
Foi num sete de Setembro quando no auge dos meus dez anos ( tempo da ditadura militar) , que em minha cidade natal tive essa experiência.
Deixa eu explicar direito, em 1974 a ditadura pegava mesmo o dia sete de Setembro era o natal da ditadura, para provar o nacionalismo patriótico desvairado ( parecia a galera que vai assistir o show da madona mas sem tomar nenhum barato entende) o governo vigente obrigava as escolas a desfilarem depois de longos discursos das "autoridades"da época, os postos de gasolina davam aos clientes duas fitas verde - amarelo para serem colocadas na ponta das antenas dos carros.

Mas os simples mortais da época, não possuía carro e ai nos simples filhos dos simples mortais, queríamos a "tal" fitinha então íamos ate os postos e pedíamos( com aquela carinha do gato do sherek), e nos davam acho que ficavam ate agradecidos por dar logo fim nas fitinhas, e nos crianças que o principal brinquedo era bola de meia( por sinal fazia uma com jornal molhado que era uma coisa de "loco" kkkkkkk) saiamos agitando a tal fitinha correndo por horas a se divertir( se fosse hoje a criança ia perguntar ao pai. - Pai onde é o botão para a fitinha se mover???) .
Eu levantei naquele sete de Setembro e coloquei o uniforme da escola,( naquele tempo nas escolas municipais era obrigado o uniforme não era permitido desfile de moda como é hoje), e fui ate a escola onde sairíamos para o desfile.
Quando cheguei la me juntei aos amigos e veio a noticia que o desfile seria no estádio municipal e como não teríamos transporte estávamos dispensados do desfile.
Como dispensados dissemos uns aos outros, ensaiamos para desfilar conseguimos nossas fitinhas que já se encontrava amarradas em nossas mãos, assim falávamos uns aos outros , foi quando alguém teve a brilhante ideia e nos falou:
-Vamos a pé!!!!!!!!
Ai começou o dia de visitas aos estados eu e mais dois amigos aderimos a ideia e saímos a procura do estádio que hoje serve para os jogos do time do São Caetano o Anacleto Campanella( mas na época se chamava Lauro Gomes de Almeida) e que por sinal as ruas próximas ao estádio tem nome de estados brasileiro, cara eu comecei pela Amazonas passei pela Rio de Janeiro e cai na Espírito Santo assim em coisa de minutos ate sair na São Paulo ate em cidades andei na Niteroi e Ribeirão Preto tudo pertinho uma da outra e eu estava em estase nunca havia saído sozinho tão longe e logo na primeira vez conhecendo tudo isso.
Moral da historia não achamos o estádio voltamos pra casa depois de mais de 4 horas perdidos, quando cheguei em casa meu pai estava com a cinta na mão e com a cara de pedir fitinha eu me safei dela com ajuda da mamãe que estava tão feliz em me ver que pediu para papai não me bater.
O pior da historia foi ficar em casa vendo o filme o rei e eu com o Yul Brinner que minha irmã estava assistindo enquanto na globo passava o maior filme que a ditadura amava nessa época o "Independência ou morte" com o Tarcisão fazer o que né pelo menos escapei da surra.
O pior veio a noite o presidente general discursou em rede nacional e tivemos de esperar ele acabar para ver a novela Fogo Sobre Terra com a namoradinha do Brasil!!!


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